Um livro, uma capa e um amigo

2 Timóteo 4.9ss: 9 Procura vir ter comigo depressa. 10  Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica; Crescente foi para a Galácia, Tito, para a Dalmácia. 11 Somente Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério. 12 Quanto a Tíquico, mandei-o até Éfeso. 13 Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos. 14 Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras. 15 Tu, guarda-te também dele, porque resistiu fortemente às nossas palavras. 16 Na minha primeira defesa, ninguém foi a meu favor; antes, todos me abandonaram. Que isto não lhes seja posto em conta! 17 Mas o Senhor me assistiu e me revestiu de forças, para que, por meu intermédio, a pregação fosse plenamente cumprida, e todos os gentios a ouvissem; e fui libertado da boca do leão. 18 O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém! 19 Saúda Prisca, e Áqüila, e a casa de Onesíforo. 20  Erasto ficou em Corinto. Quanto a Trófimo, deixei-o doente em Mileto. 21 Apressa-te a vir antes do inverno. Êubulo te envia saudações; o mesmo fazem Prudente, Lino, Cláudia e os irmãos todos. 22 O Senhor seja com o teu espírito. A graça seja convosco.”

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Introdução


Chegou o fim do semestre, chegou o frio inverno. Em breve, nos dispersaremos. Alguns sentirão frio. Outros se sentirão sós. Muitos sentirão saudades. O texto que nos inspira neste dia nos fala de um sentimento parecido que, segundo uma antiga tradição, o grande apóstolo dos gentios estaria experimentando.
Segundo essa tradição, o fim da jornada do apóstolo Paulo estava chegando, juntamente com um duro inverno. “O prisioneiro sente a solidão pelo abandono ou desvio de alguns colaboradores e a hostilidade de um conhecido” (nota da Bíblia do Peregrino). “Esta página contristada e serena, quem sabe a última que o apóstolo haja ditado, lembra o tema do justo abandonado, tema este que a morte de Jesus na cruz ilustrara tão cabalmente. Mas assim como para Jesus,” também par o autor da epístola, “esta solidão está povoada pela presença de Deus” (nota da Bíblia Tradução Ecumênica), bem como pela lembrança de fatos marcantes e pela saudade de amigos especiais.
Pela trama do texto, Paulo estaria se preparando para enfrentar um rigoroso inverno: um inverno meteorológico, um inverno existencial e um inverno afetivo. Para isso, teria escrito a Timóteo, um amigo querido, pedindo que este lhe trouxesse, o mais rápido possível, o que ele precisaria para enfrentar esse temível inverno.
Uma das encomendas que Paulo teria feito foi…

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 … a capa

“Quando vieres, traze a capa
que deixei em Trôade, em casa de Carpo.” (v. 13)

Esse Paulo tinha um estilo de vida austero. Não tinha luxos, não gozava de grandes confortos, nem praticava muitas extravagâncias. Tanto é assim que ele teria deixado, ou esquecido, um dos seus parcos bens em Trôade. Ora, somente alguém desapegado dos bens materiais deixaria para trás uma capa, um paletó, um sobretudo.
Entretanto, Paulo sabia que, por mais espiritual que fosse, precisava cuidar do corpo. E, embora já em sua reta final, a missão não poderia ser interrompida prematuramente por uma pneumonia irresponsável.
Paulo precisava da sua capa, como nós precisamos do nosso agasalho. O inverno está aí, o semestre chegou ao fim, mas a missão precisa continuar. Para isso, precisamos nos manter aquecidos, saudáveis e dispostos.
Mas só a capa não bastaria para garantir o bem-estar, por isso a encomenda de Paulo inclui também…

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… os livros e os pergaminhos

“Quando vieres, traze a capa […],
bem como os livros, especialmente os pergaminhos.”  (v. 13)

Paulo foi um grande missionário porque foi um homem estudioso, culto, erudito, amigo dos livros até nos últimos momentos de sua vida. Leitor compulsivo, conhecia os clássicos gregos, tanto filósofos quanto poetas. Sabemos também que foi autor de pena generosa e abundante — o que teria sido da teologia cristã, não tivessem Paulo e seus discípulos nos deixado seu legado por escrito? —. Para enfrentar o rigoroso inverno existencial, Paulo abastece sua dispensa com livros, com palavras… não quaisquer palavras, mas palavras boas, palavras inteligentes, palavras bem-ditas.
Já que as nossas férias também se aproximam, o que levaremos na bagagem para enfrentar o nosso próprio inverno existencial? Quem dera, como Paulo, nesse tempo de reavaliações, tenhamos a chance de lermos bons livros, e nos alimentarmos fartamente das palavras sagradas que Deus e os homens, Deus e as mulheres, plantam nos livros; palavras que se oferecem a nós como pães aromáticos, saborosos e edificantes.
Mas, além da capa e dos livros, a encomenda mais importante de Paulo foi…

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… o amigo João Marcos

“Toma contigo a Marcos e traze-o,
pois me é útil para o ministério.”  (v. 11)

Paulo experimentara muitos tipos de relacionamentos:
Havia amigos que partiam traumaticmente, tais como Demas, que abandorara a fé e abraçara o mundo (v. 10).
Havia os que simplesmente se mudavam, como Crescente e Tito, que estavam morando agora em Galácia e Dalmácia, respectivamente.
Havia, ainda, os amigos que se tornaram inimigos, como Alexandre, o latoeiro (v. 14). Desses, Paulo diz que “o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras” (v. 14); e que deles devemos nos guardar (cf. v. 15).
Mas também havia aqueles como Lucas, que nunca o abandonara; amigo leal, fiel, constante, sempre presente, nas horas boas e nas horas amargas; aquele que permanecia quando todos já se tinham ido: “Somente Lucas está comigo” (v. 11).
Mas uma das amizades mais marcantes para Paulo, foi aquela com João Marcos. Ora, mas esse é o mesmo João Marcos que, quando em viagem para Antioquia da Psídia, abandonara Paulo e seus companheiros, voltando para Jerusalém (cf. At 13.13). Paulo se lembraria desse abandono, quando Barnabé quis tornar a incluir João Marcos em outra viagem missionária:
“Mas Paulo não era de opinião que se retomasse como companheiro um homem que os abandonara na Panfília e, portanto não participara do trabalho deles. Essa discordância se agravou a tal ponto que eles partiram cada qual para seu lado. Barnabé tomou consigo Marcos e embarcou para Chipre, enquanto Paulo associava Silas a si e partia…” (At 15.38-40).
O tempo se encarregaria de mostrar a Paulo que ele estava enganado. Nem sempre um colega que nos decepciona uma vez, está incapacitado para se associar a nós em outras jornadas. Barnabé que, do alto de sua experiência, podia discernir isso, possibilitou a Paulo essa importante amizade e deu-lhe o companheiro que o assistiria nas suas últimas horas.

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Peroração

Agora que o tempo de partir se aproxima e o inverno aperta, precisamos estar preparados para enfrentá-los: a partida e o inverno. E, por mais que os agasalhos e os livros nos ajudem, nada pode substituir um amigo.
Nestes tempos de formação acadêmica, devemos atentar para os cuidados do corpo e os cuidados da mente, mantendo a capa e os livros sempre à mão, mas, principalmente, não podemos esquecer dos cuidados do coração, e é para isto que servem os amigos, é para isto que servem as amigas. Como diz o sábio em seu antigo provérbio: “Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão” (Pv 17.17).
Que neste inverno não nos faltem agasalhos, nem livros e muito menos amigos e amigas.
Luiz Carlos Ramos
Publicado by  on 6, jun, 2010 
http://www.luizcarlosramos.net

Denunciar o Erro Não é Ser Crítico e Desagregador.

"Virou mania defender todo tipo de erro com o argumento superficial do ‘Vamos parar de criticar e orar mais’, geralmente vindo de religiosos falso que nunca participam de uma reunião se quer de oração, falar não expressa o sentimento do amor. Se não, é assim também, ‘Nós não podemos julgar’, ‘Deus opera como quer, quem é você para julgar?’. Mas será que é assim que funciona?"
(Tharsis Kedsonni).

Fico triste com quem não consegue diferenciar o fazer divisão dentro da igreja com a Apologética. Eis a diferença entre o dividir e o discernir:

Fazer divisão é não ser verdadeiramente convertido e tentar derrubar o próximo pelos mais diversos motivos. É ser sempre do contra; jogar os irmãos, uns contra os outros; sabotar ou não apoiar trabalhos internos; fazer críticas destrutivas ao trabalho de quem com sinceridade e dedicação, se empenha no Reino.

A Apologética, por sua vez, apoia esse trabalho e contribui na defensiva (cf. Fp 1.16), Uns, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões; com o intuito de não permitir que o joio sufoque o trigo e danifique a seara, prejudicando assim o trabalho do Reino de Deus na terra. Lobos vestidos de ovelhas precisam ser denunciados; Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Mateus 7:15-20. Raposas e raposinhas precisam ser retiradas da vinha; Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor. (Cantares 2.15).

Este é o serviço da Apologética: combater as heresias que constantemente são formuladas dentro da igreja e alteram o Evangelho genuíno de nosso Senhor Jesus Cristo; Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Gálatas 1:8,9.

O povo de Deus deve marchar e batalhar para ganhar o mundo para Cristo, mas também deve viver vigiando (Marcos 14.38); Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca; sempre a posto na defensiva, combatendo todo o mal que quer se inserir na Igreja e usar até os escolhidos para desvirtuar a fé salvadora.

Quem faz divisão, importa-se somente consigo mesmo, (egoísta). Jamais se preocupa com os sentimentos ou mesmo a salvação do outro. Quem faz uso da Apologética para defender o Reino, importa-se com a Nobre Causa de Jesus Cristo, que envolve o mundo inteiro. Quem faz divisão pensa somente na sua própria satisfação. Quem faz uso correto da Apologética, pensa nas mesmas coisas que Cristo pensaria se estivesse aqui, em meio a todo esse desarranjo espiritual que se desencadeou em nosso tempo.
Precisamos parar de julgar pela aparência e fazermos julgamentos segundo a reta justiça de Deus (João 7.24); Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça. E a Apologética contribui para isso. Precisamos examinar todas as coisas (1 Tessalonicenses 5.21); Examinai tudo. Retende o bem. Não podemos fazer vista grossa às tantas divergências sobre a doutrina cristã em nome da unidade da Igreja.

Se fosse assim, João Batista e Jesus não deveriam exortar tão severamente os escribas e fariseus, que tanto eram dedicados à Lei do mesmo Deus que lhes enviou ao mundo para combater o pecado. O que diríamos hoje se por uma palavra dita à alguns eles caíssem mortos na igreja pela palavra do pastor pela rebeldia das pessoas como foi com o apostolo e Ananias e Zafira?

Um homem chamado Ananias, juntamente com Safira, sua mulher, também vendeu uma propriedade. Ele reteve parte do dinheiro para si, sabendo disso também sua mulher; e o restante levou e colocou aos pés dos apóstolos. Então perguntou Pedro: "Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, a ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade? Ela não lhe pertencia? E, depois de vendida, o dinheiro não estava em seu poder? O que o levou a pensar em fazer tal coisa? Você não mentiu aos homens, mas sim a Deus". Ouvindo isso, Ananias caiu e morreu. Grande temor apoderou-se de todos os que ouviram o que tinha acontecido. Então os moços vieram, envolveram seu corpo, levaram-no para fora e o sepultaram. Cerca de três horas mais tarde, entrou sua mulher, sem saber o que havia acontecido. Pedro lhe perguntou: "Diga-me, foi esse o preço que vocês conseguiram pela propriedade? " Respondeu ela: "Sim, foi esse mesmo". Pedro lhe disse: "Por que vocês entraram em acordo para tentar o Espírito do Senhor? Veja! Estão à porta os pés dos que sepultaram seu marido, e eles a levarão também". Naquele mesmo instante, ela caiu aos pés dele e morreu. Então os moços entraram e, encontrando-a morta, levaram-na e a sepultaram ao lado de seu marido. E grande temor apoderou-se de toda a igreja e de todos os que ouviram falar desses acontecimentos.
Atos 5:1-11

Precisamos pregar o Evangelho, e precisamos fazer isso da maneira correta.



Elaine Cândida

*John Stott / Biografia & Mensagens




Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina. (1 Timóteo 5:17)
John Stott faleceu ontem dia 27 de Julho de 2011 às 03:15, no horário de Londres, aos 90 anos, de acordo com Benjamin Homan, presidente do John Stott Ministries (fonte).
“antes que possamos começar a ver a Cruz como algo feito para nós (nos conduzindo a fé e a adoração) temos que vê-la como algo feito por nós (nos conduzindo ao arrependimento)”. – John Stott

Biografia

Considerado uma das mais expressivas vozes da Igreja Evangélica contemporânea, o inglês John Stott nasceu em 27 de abril de 1921. Foi um agnóstico até 1939, quando ouviu uma mensagem do reverendo Eric Nash e se converteu ao cristianismo evangélico.
Estudou Línguas Modernas na Faculdade Trinity, de Cambridge. Foi ordenado pela Igreja Anglicana em 1945, e iniciou suas atividades como sacerdote na Igreja All Souls, em Langham Place. Lá continuou até se tornar pastor emérito, em 1975. Foi capelão da coroa britânica de 1959 a 1991.
Stott tornou-se ainda mais conhecido depois do Congresso de Lausanne, em 1974, quando se destacou na defesa do conceito de Evangelho Integral – uma abordagem cristã mais ampla, abrangendo a promoção do Reino de Deus não apenas na dimensão espiritual, mas também na transformação da sociedade a partir da ética e dos valores cristãos.
Em 1982, fundou o London Institute for Contemporary Christianity, do qual hoje é presidente honorário. Escreveu cerca de 40 livros, entre os quais Ouça o Espírito, ouça o mundo (ABU), A cruz de Cristo (Vida) e Por que sou cristão (Ultimato).
John Stott – O Verdadeiro Significado da Cruz

Se quisermos desenvolver uma doutrina da propiciação verdadeiramente bíblica, necessitaremos distingui-la das idéias pagãs em três pontos cruciais, relacionados ao motivo da necessidade da propiciação, quem a fez e o que ela é.
Primeiro, o motivo pelo qual a propiciação é necessária é que o pecado suscita a ira de Deus. Isso não quer dizer (como temem os animistas) que ele é capaz de explodir a mais trivial provocação, muito menos que ele perde as estribeiras por nenhum motivo aparente. Pois nada há de caprichoso ou arbitrário no santo Deus. Nem jamais ele é irascível, malicioso, rancoroso ou vingativo. 
A ira dele não é misteriosa nem irracional. Jamais é imprevisível, mas sempre previsível por ser provocada pelo mal e pelo mal somente. A ira de Deus, como examinamos com mais detalhes no capítulo 4, é o seu antagonismo firme, constante, contínuo e descomprometido para com o pecado em todas as suas formas e manifestações. Em resumo, a ira de Deus está mundos à parte da nossa. O que provoca a nossa ira (a vaidade ferida) jamais provoca a dele; o que provoca a ira dele (o mal) raramente provoca a nossa.
Segundo, quem faz a propiciação? Num contexto pagão são sempre seres humanos que procuram desviar a ira divina mediante a realização meticulosa de rituais, ou através da recitação de fórmulas mágicas, ou por meio de oferecimento de sacrifícios (vegetais, animais e até mesmo humanos). Pensam que tais práticas aplaquem a divindade ofendida. Mas o evangelho começa com a afirmação ousada de que nada do que possamos fazer, dizer, oferecer ou até mesmo dar pode compensar os nossos pecados nem afastar a ira divina. Não há possibilidade alguma de bajularmos, subornarmos ou persuadirmos Deus a nos perdoar, pois nada merecemos das suas mãos a não ser o julgamento. Nem, como já vimos, tem Cristo, por meio do seu sacrifício, prevalecido sobre Deus a fim de que ele nos perdoe. Não, foi o próprio Deus que, em sua misericórdia e graça, tomou a iniciativa.
Esse fato já estava claro no Antigo Testamento, pois nele os sacrifícios eram reconhecidos não como obras humanas, mas como dádivas divinas. Eles não tornavam a Deus gracioso; eram providos por um gracioso Deus a fim de que pudesse agir graciosamente e para com o seu povo pecaminoso. “Eu vo-lo tenho dado sobre o altar”, disse Deus a respeito do sangue do sacrifício, “para fazer expiação pelas vossas almas” (Levítico 17:11). E o Novo Testamento reconhece essa verdade com mais clareza, e não menos os textos principais acerca da propiciação. O próprio Deus “apresentou” ou “propôs” a Jesus Cristo como sacrifício propiciatório (Romanos 3:25). Não é que tenhamos amado a Deus, mas que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados (1 João 4:10).
Não podemos enfatizar demais que o amor de Deus é a fonte, e não a conseqüência da expiação. Como o expressou P. T. Forsyth: “A expiação não assegurou a graça, mas fluiu dela”. Deus não nos ama porque Cristo morreu por nós; Cristo morreu por nós porque Deus nos amou. É a ira de Deus que necessitava ser propiciada, é o amor de Deus que fez a propiciação. Se pudermos dizer que a propiciação “mudou a Deus” ou que por meio dela ele mudou a si mesmo, esclareçamos que a sua mudança não foi da ira para o amor, da inimizade para a graça, visto que o seu caráter é imutável. 
O que a propiciação mudou foi os seus tratos para conosco. “A distinção que eu peço que vocês observem”, escreveu P. T. Forsyth é “entre uma mudança de sentimento e uma mudança de tratamento… o sentimento de Deus para conosco jamais necessitou mudar. Mas o tratamento de Deus com referência a nós, o relacionamento prático de Deus para conosco — esse teve de mudar”. Ele nos perdoou e nos recebeu no lar.
Terceiro, qual foi o sacrifício propiciatório? Não foi animal, vegetal nem mineral. Não foi uma coisa, mas uma pessoa. E a pessoa que Deus ofereceu não foi alguém mais, uma pessoa humana ou um anjo, nem mesmo o seu Filho considerado como alguém distinto dele ou exterior a si mesmo. Não, ele ofereceu-se a si mesmo. Ao dar o seu Filho, ele estava dando a si mesmo. Como escreveu repetidamente Karl Barth: “Foi o Filho de Deus, isto é, o próprio Deus”. Por exemplo, “o fato de que foi o Filho de Deus, de que foi o próprio Deus, quem tomou o nosso lugar no Gólgota e, através desse ato, nos libertou da ira e do juízo divino, revela primeiro a implicação total da ira de Deus e a sua justiça condenadora e punitiva”. Repetimos, “porque foi o Filho de Deus, isto é, o próprio Deus, que tomou o nosso lugar na Sexta-Feira da Paixão, para que a substituição fosse eficaz e pudesse assegurar-nos a reconciliação com o Deus justo. Somente Deus, nosso Senhor e Criador, poderia colocar-se como nossa segurança, poderia tomar o nosso lugar, poderia sofrer a morte eterna em nosso lugar como conseqüência de nossos pecados de tal modo que ela fosse finalmente sofrida e vencida.” E tudo isso, esclarece Barth, foi expressão não somente da santidade da justiça divina, mas também das “perfeições do amor divino”; deveras, do “santo amor divino”.
Portanto, o próprio Deus está no coração de nossa resposta às três perguntas acerca da propiciação divina. É o próprio Deus que, em ira santa, necessita ser propiciado, o próprio Deus que, em santo amor, resolveu fazer a propiciação, e o próprio Deus que, na pessoa do seu Filho, morreu pela propiciação dos nossos pecados. Assim, Deus tomou a sua própria iniciativa amorosa de apaziguar sua própria ira justa levando-a em seu próprio ser no seu próprio Filho ao tomar o nosso lugar e morrer por nós. Não há nenhuma grosseria aqui que evoque o nosso ridículo, apenas a profundeza do santo amor que evoca a nossa adoração.
Ao procurar, assim, defender e reinstituir a doutrina bíblica da propiciação, não temos intenção alguma de negar a doutrina bíblica da expiação. Embora devamos resistir a toda tentativa de substituir a propiciação pela expiação, damos boas-vindas a todas as tentativas que procuram vê-las unidas na salvação. Assim F. Büchsel escreveu que “hilasmos. . . é a ação na qual Deus é propiciado e o pecado expiado”.21 O Dr. David Wells elaborou sucintamente sobre essa ideia:
No pensamento paulino o homem é alienado de Deus pelo pecado e Deus é alienado do homem pela ira. É na morte substitutiva de Cristo que o pecado é vencido e a ira desviada, de modo que Deus possa olhar para o homem sem desprazer, e o homem olhar para Deus sem temor. O pecado é expiado, e Deus propiciado.

Por John Sttot
Extraído do livro: Cruz de Cristo pág: 154 – 156

Diga por si mesmo!


ERRAIS POR QUE: 



É verdade que a Bíblia pode ser interpretada por qualquer pessoa?
É sim, eu pastor, creio que sim.




Entretanto é necessário conhecimento, tanto da letra quanto do espírito das escrituras.



Se não, tu podes interpreta-la para "benção", ou  para a "maldição". A palavra não traz maldição, mas um erro na atitude por interpreta-lá equivocadamente ou em causa própria, pode se desencadear uma maldição longa e hereditária. 



Só tome cuidado, porque Jesus já alertavam o povo desde quando esteve na terra entre os homens. 



Jesus deixou bem claro para os manipuladores religiosos de seu tempo que adulteravam a interpretação das escrituras em causa própria: 



"ERRAIS POR NÃO CONHECERDES AS ESCRITURAS…”



E você, tem acertado? 

Ou errado? 



Fica a palavra! 

Pr Jean Calegario

  DEZ PASSOS PARA SE TORNAR UM PACIFICADOR Publicado em   17 de abril de 2020   por   Celebrando Restauração 1. ANDAR HUMILDEMENTE E isto vo...

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