terça-feira, 22 de julho de 2014

O apocalipse segundo a "Bíblia" No início da era cristã, por volta dos anos 90, uma onda de opressão e violência patrocinada pelo Império Romano alvejava a comunidade judaico-cristã do Mediterrâneo Rodrigo Cardoso




METÁFORAS
“Os quatro cavaleiros do apocalipse”, de Billie Waters

No início da era cristã, por volta dos anos 90, uma onda de opressão e violência patrocinada pelo Império Romano alvejava a comunidade judaico-cristã do Mediterrâneo. O clima hostil serviu de inspiração para um dos perseguidos, João de Patmos, redigir um conjunto de textos sobre a história que se passava a sua frente. A obra, intitulada Apocalipse, compõe o último livro da “Bíblia”. Nela, João faz uma leitura econômica, política e social do momento do conflito, explica as causas dele e anuncia como será o fim daqueles dias: a vitória dos que sofriam, do bem sobre o mal. A cada capítulo, o autor procurava passar uma mensagem de conforto que, longe de produzir conformismo, pretendia ajudar o povo a entender aquela situação, resistir e enfrentá-la. Algo como “continue na luta que você vencerá”.

Mais do que o fim do mundo, o Apocalipse de João anunciava, portanto, o fim dos que mandavam no mundo. Acontece que o Apocalipse (apokálypsis, em grego, significa revelação) e outros textos do gênero – que começaram a surgir pelo menos 200 anos antes do de João – são férteis em metáforas e passagens fantásticas. E é esse traço que dá margem a interpretações acerca do fim dos tempos por parte de diferentes correntes religiosas. Personagens e passagens como a besta (que seria, muito provavelmente, o imperador Nero, segundo o Apocalipse de João), o dragão que persegue os descendentes de uma mulher (a Igreja Católica), o cordeiro (Jesus Cristo) enviado dos céus para julgar os homens e os mil anos de paz na Terra vão sendo relidos ao mesmo tempo que fatos históricos, como a ascensão de Hitler, o comunismo, a Guerra Fria e o 11 de Setembro, ganham contornos de sinais do final de tudo. 

“Para a tradição apocalíptica americana, que se desenvolveu com grupos religiosos como adventistas, batistas e presbiterianos no século XIX, o “Apocalipse” revelaria as fases da história humana, tanto do passado quanto do futuro próximo, no fim dos tempos” , diz Paulo Nogueira, autor de “O que É Apocalipse” (editora Brasiliense). Desta forma o anticristo poderia ser um novo papa ou um novo ditador, ou quem quer que venha a ser entendido por esses grupos como uma ameaça à liberdade religiosa do mundo e, em especial, uma ameaça à identidade deles. Outro estudioso do tema, o professor de teologia Rafael Rodrigues da Silva, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de São Paulo, reforça a tese com uma indagação: “Qual dos grupos religiosos que leem o fim do mundo estão ajudando o povo a interpretar a crise econômica mundial?” Para ele, leituras fundamentalistas dos textos apocalípticos têm afastado o teor crítico dos escritos antigos e produzido leituras alienantes. “Quando um grupo perseguido não se entrega e diz que vai vencer em nome de Deus, está fazendo resistência. Aqui, hoje, aplicam a história para alienar, fecham a doutrina na questão da salvação e o foco principal do apocalipse – que é ajudar o povo a enxergar o atual momento e fazer o enfrentamento – é esquecido.” 

Alexandre Leone, pesquisador do Centro de Estudos Judaicos da Universidade de São Paulo (USP), acredita que a crise econômica seria o fim do mundo do nosso tempo. Entre os judeus, os textos de caráter apocalíptico se encontram no Livro de Daniel, no Antigo Testamento, e não no de João. Em comum com os escritos seguidos pelos católicos estão, entre outros pontos, a vinda de um juiz, no caso o Messias, e a ideia de que a história caminha para o seu final. A batalha do bem contra o mal, porém, não tem destaque na literatura rabínica. 

“A natureza não muda, ou seja, não há de fato um fim do mundo, mas um mundo novo, um conserto dele”, afirma Leone, rabino da comunidade judaica de Alphaville. A ideia de arrumar o mundo foi elaborada por rabinos originários da Península Ibérica, de onde os judeus foram expulsos no século XV. “Não pode haver uma vitória de uma corrente – isso acabaria com o equilíbrio das coisas. O mal tem de existir solto no mundo porque é nessa dança que tudo acontece”, diz Leone. 

Religião monoteísta como o catolicismo e o judaísmo, o islã também conta com uma teologia apocalíptica. Segundo o “Alcorão” e as profecias de profetas como Jesus, Abraão e Mohammad – existem, no total, 124 mil profetas –, Deus daria pequenos sinais (como a banalização da vida e da morte, as mudanças climáticas bruscas e o fato de o homem imitar a mulher na maneira de se vestir) e grandes avisos (a vinda do anticristo, o retorno de Jesus, a grande guerra mundial, a inversão da rotação da Terra e o nascimento do Sol no Ocidente) da proximidade do fim dos dias. Os muçulmanos aguardariam o retorno de Jesus, que eliminaria o anticristo. Um reino de paz se estabeleceria até um novo tempo de injustiças se reiniciar. Cristo, então, morreria e com ele seus fiéis. Na Terra restariam os injustos, que seriam eliminados no fim do mundo. “Estamos próximos do fim dos tempos. É difícil eu ver algum pequeno sinal dado por Deus que já não esteja entre nós”, diz o sheik Jihad Hammadeh. As crises do Oriente Médio, o clima de tensão no Iraque e a expulsão dos palestinos para a criação de Israel, em meados do século passado, são interpretados pela literatura islâmica, de acordo com o antropólogo Paulo Hilu, coordenador do Núcleo de Estudos sobre o Oriente Médio da Universidade Federal Fluminense, como alguns dos sinais. 

Hammadeh, que é presidente da comissão de ética da União Nacional Islâmica, reforça que somente Deus tem o poder de precisar quando as profecias irão se concretizar. Nogueira, em “O que É Apocalipse”, segue esse roteiro e escreve que calcular tempos em que as pragas anunciadas pelo Apocalipse de João viriam a acontecer é “deixar de levar em consideração a linguagem mítica em que o ‘Apocalipse’ foi concebido”. No entanto, a humanidade vive com a perspectiva de que o mundo caminha para o fim, de que há forças antagônicas contribuindo para isso e se esquece de atentar para a salvação dos eleitos. “Aquele que lê o Apocalipse não pode viver a vida esperando o consolo após a morte. Deve procurar a justiça aqui”, diz o cônego Celso Pedro da Silva, especialista em Sagrada Escritura. “Se quer que os mil anos de paz e tranquilidade também previstos no Apocalipse aconteçam, tem de aprender a vencer o dragão agora.”  

http://www.istoe.com.br/reportagens/184615_O+APOCALIPSE+SEGUNDO+A+BIBLIA+




sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

LEI E GRAÇA

Introdução

"O PIOR CEGO É AQUELE QUE NÃO QUER VER"

 “O pior cego é aquele que não quer ver”, porque dessa forma ele se torna conivente com os males que afligem o mundo a sua volta e sua própria vida e protege os que oprimem, e amaldiçoam pessoas inocentes, humilham, escravizam e desrespeitam seus semelhantes, “o que os olhos não veem o coração não sente. Está é sem dúvida a negação do querer ver. A conveniência sempre impondo a decisão de ficar cego diante de determinadas situações. Se recusam a ver a verdade. Se omitem. Se alienam. Só enxergam o que querem e o que lhes interessa. É, no mínimo, uma atitude de comodismo e de indiferença a sua própria vida e a de mais ninguém. "Que pena de você".... Que Pena de quem decidiu viver cego a encarar a dura realidade.
Nessa linha de raciocínio é que surgiu esse provérbio. Nasceu de uma história ocorrida no século XVII na França. Um aldeão de nome Argel foi a primeira pessoa a receber um transplante de córnea, num extraordinário sucesso da medicina da época. Ao enxergar, ele se tomou de um estado de horror com o mundo que passou a conhecer, bem diferente do que imaginava quando vivia na escuridão da cegueira. Solicitou então ao cirurgião que o operou a extrair-lhe os olhos, preferia voltar a ser cego. Com a recusa do médico apelou para os tribunais de Paris e do Vaticano e teve ganhado de causa. Passou então a ser conhecido como “o cego que não quis ver”.
A narrativa, ou parábola, dá força ao sentido filosófico deste provérbio, porque demonstra que em muitos momentos agimos como Argel que preferiu ficar cego para não ver a verdade de que não queremos enxergar hoje ou somos dominados pelo espírito de frouxidão e conveniência, se não pode com eles se destrua junto deles.  "Que pena de você".... Que escolheu não enxergar.

18-Voces, que são surdos, ouçam o que diz o senhor! Vocês cegos, olhem para Deus e voltarão a ver! 19-Não há ninguém, em todo mundo, tão cego quanto o meu servo e tão surdo como o mensageiro que enviei! Quem é tão cego quanto aquele que é consagrado a mim, cego como Israel, “o servo do senhor”? 20-Você viu muitas coisas, mas não da atenção a elas; ouve a verdade, mas não da importância! 21-O senhor escolheu, para manter sua honra, tornar grande e gloriosa sua lei. Foi pela lei que ele quis fazer de seu povo uma grande nação.
Isaias 42: 18-22

Não tenho pretensão nenhuma de convencer a alguém ou contra argumentar crenças ou religiões, nem neste blog - como está na descrição - e menos ainda neste novo artigo. Eu gostaria de deixar alguns esclarecimentos com relação à minha visão pessoal de um assunto que parece insolúvel e atravessou os séculos. A Lei, tão preciosa e enfatizada na doutrina judaica, é de suma importância na questão de relacionamento com Deus, o Eterno, enquanto a Graça é o que Cristãos Evangélicos protestantes dão maior valor.
É quase um paradigma para os cristãos modernos associar o Antigo Testamento à Lei e o Novo Testamento à Graça. Em várias oportunidades, propus a estudantes (de seminário e escolas dominicais) estabelecer o relacionamento entre os termos e, invariavelmente, as respostas têm seguido a seguinte relação:

 LEI          —   Antigo Testamento
GRAÇA   —   Novo Testamento

A questão não seria exatamente essa se a pergunta fosse: estamos sobre a lei ou sobre a graça? Pessoalmente, não enxergo as coisas desta forma e a falta de conhecimento e raciocínio vem destruindo o homem há muito tempo, como já dizia o profeta Oséias
Meu povo foi destruído por falta de conhecimento. “Uma vez que vocês rejeitaram o conhecimento, eu também os rejeito como meus sacerdotes; uma vez que vocês ignoraram a lei do seu Deus, eu também ignorarei seus filhos”.
Oséias 4:6
O mais interessante no versículo acima é que o povo foi destruído por duas razões simples:

1 – Falta de Conhecimento.
2 – Ignorar a lei de Deus.

1ª Parte
O surgimento da Lei
Em primeiro lugar, precisamos considerar que a Bíblia é a Palavra de Deus. Portanto: ou a tomamos por inteiro, ou nada! Afinal, tornar-se-ia uma prática muito perigosa se apenas usássemos contextos isolados para defender ideias.
Vamos começar por GÊNESIS para entender um pouco a origem das coisas.
Depois da criação, da queda do homem e do dilúvio, Deus chamou um homem para dar origem a uma nação que seria representante de Deus na Terra, para a qual Ele prometeu a salvação. Este homem era Abrão que, pela sua obediência, recebeu a promessa de que por meio de sua geração muitas nações conheceriam este Deus. A partir de então, Deus o chamou (capítulo 17) e lhe propôs uma aliança eterna e por ser eterna fundamental para todos nós.
Será fundamental a leitura do texto completo:

Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o SENHOR a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito. E porei a minha aliança entre mim e ti, e te multiplicarei grandissimamente. Então caiu Abrão sobre o seu rosto, e falou Deus com ele, dizendo: Quanto a mim, eis a minha aliança contigo: serás o pai de muitas nações; e não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai de muitas nações te tenho posto; E te farei frutificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis sairão de ti; e estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência depois de ti. E te darei a ti e à tua descendência depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão e ser-lhes-ei o seu Deus. Disse mais Deus a Abraão: Tu, porém, guardarás a minha aliança, tu, e a tua descendência depois de ti, nas suas gerações. Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência depois de ti: Que todo o homem entre vós será circuncidado. E circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal da aliança entre mim e vós. O filho de oito dias, pois, será circuncidado, todo o homem nas vossas gerações; o nascido na casa, e o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, que não for da tua descendência. Com efeito será circuncidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu dinheiro; e estará a minha aliança na vossa carne por aliança perpétua. E o homem incircunciso, cuja carne do prepúcio não estiver circuncidada, aquela alma será extirpada do seu povo; quebrou a minha aliança. Disse Deus mais a Abraão: A Sarai tua mulher não chamarás mais pelo nome de Sarai, mas Sara será o seu nome. Porque eu a hei de abençoar, e te darei dela um filho; e a abençoarei, e será mãe das nações; reis de povos sairão dela. Então caiu Abraão sobre o seu rosto, e riu-se, e disse no seu coração: A um homem de cem anos há de nascer um filho? E dará à luz Sara da idade de noventa anos? E disse Abraão a Deus: Quem dera que viva Ismael diante de teu rosto! E disse Deus: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque, e com ele estabelecerei a minha aliança, por aliança perpétua para a sua descendência depois dele. E quanto a Ismael, também te tenho ouvido; eis aqui o tenho abençoado, e fá-lo-ei frutificar, e fá-lo-ei multiplicar grandissimamente; doze príncipes gerará, e dele farei uma grande nação. A minha aliança, porém, estabelecerei com Isaque, o qual Sara dará à luz neste tempo determinado, no ano seguinte. Ao acabar de falar com Abraão, subiu Deus de diante dele. Então tomou Abraão a seu filho Ismael, e a todos os nascidos na sua casa, e a todos os comprados por seu dinheiro, todo o homem entre os da casa de Abraão; e circuncidou a carne do seu prepúcio, naquele mesmo dia, como Deus falara com ele. E era Abraão da idade de noventa e nove anos, quando lhe foi circuncidada a carne do seu prepúcio. E Ismael, seu filho, era da idade de treze anos, quando lhe foi circuncidada a carne do seu prepúcio. Naquele mesmo dia foram circuncidados Abraão e Ismael seu filho, E todos os homens da sua casa, os nascidos em casa, e os comprados por dinheiro ao estrangeiro, foram circuncidados com ele.
Gênesis 17:1-27

Deste trecho é importante destacar alguns pontos:
1 - Deus disse que a aliança seria perpétua. (Algumas versões dizem eterna.)
2 – Foi Deus quem primeiro procurou a Abrão. Foi a vontade d’Ele, que é soberana, estabelecer esta aliança.
3 – Deus propõe a circuncisão já a partir de Abraão, como sinal de obediência, para selar o início deste “acordo”, sem ainda citar as demais leis.
4 – Deus está falando em estabelecer uma nação, e não de salvação.
Portanto, Deus usou a Abrão para dar início a uma nação a partir da qual o próprio Deus voltaria a se relacionar com a humanidade. Um povo para obedecê-Lo em amor e fidelidade, uma nação que O representasse na face da Terra. Mas, no entanto, existia ainda a necessidade de algumas regras claras para que eles não continuassem vivendo segundo suas próprias leis naturais, e, por consequência, deixassem uma imagem distorcida de quem é Deus.
Muito bem. Mais tarde, já nos tempos de Moisés, os Hebreus escravizados no Egito serviam ao Deus de Abraão (ao qual foi dada a circuncisão como sinal da aliança). Moisés, homem de coragem e fé, foi usado por Deus para libertar os Hebreus da escravidão e para guiá-los para terra que Deus havia prometido já há muito tempo para Abraão.
Logo após, esta nação tão numerosa vaga no deserto por quarenta anos, mas nunca chegam à terra prometida, nem mesmo Moisés. Por quê?
Relembre Oséias 4:6: falta de Conhecimento e ignorar a lei de Deus.

Observemos:
1-            Deus sempre levou muito a sério suas promessas, assim como suas exigências à obediência e fé.
2-            Deus já tinha cumprido com parte de Suas promessas feitas a Abraão. Eles – o povo hebreu – já eram numerosos, e, agora livres, caminhavam para conquistar a Terra Prometida.
3-            Deus em nenhum momento voltou atrás ou mudou as regras, afinal Ele mesmo afirmou e reafirmou que este acordo seria eterno.

Enquanto o povão está perdido no deserto, Deus chamou Moisés ao monte Sinai para, só então, estabelecer regras mais definidas e concisas, para que este povo O servisse e vivesse em harmonia. Então, Deus escreveu os Dez Mandamentos, com palavras gravadas pelos Seus próprios dedos em duas tábuas de pedra (Êxodo 31:18), e as entrega a Moisés, e ainda lhe explica detalhadamente como o povo deveria agir (Êxodo cap. 20-24).
Os dez mandamentos encontram-se no livro de Êxodo, capítulo 20. LEIA!
Nitidamente os Dez Mandamentos se dividem em duas partes distintas, as quais foram fundamentais para que esta nação se organizasse como tal, e aprendesse a viver em harmonia entre si e com Deus. Assim, observe que os primeiros cinco mandamentos estão diretamente relacionados ao relacionamento do homem com Deus, e os cinco últimos estão ligados ao relacionamento dos homens entre si. Fica claro que estes cinco últimos mandamentos, continuam sendo utilizados até os dias de hoje como base para as leis que os homens implantam no mundo todo.

1-            Não matarás. – Matar é crime em qualquer lugar do mundo! (Sexto mandamento).
2-            Não furtarás. – Roubar é crime! (Oitavo mandamento).
3-            Não darás falso testemunho. – Acusar sem provas é crime. (Nono mandamento).
Se até hoje o mundo cria suas leis fundamentadas num princípio tão antigo, por que desprezaremos algo de tão bom e precioso que o próprio Criador fez?

2ª Parte
 Atualizando um pouco o tempo.
Passado muito tempo, estamos nós diante de um conflito sobre a Lei e a Graça. As religiões criadas por mãos de homens falíveis e de corpos corruptíveis digladiam entre si para defender o que pensam dentro de um conceito mundano, e na maioria das vezes se privam do direito de conhecer e se aprofundar sobre os conceitos tão profundos criados por Deus, uma mente infinitamente superior.
Continuando, o que entendo e foi explicitado na primeira parte, foi que Deus deu primeiramente a Abrão uma ordem específica e, depois de muitos anos, pra não dizer séculos, deu ao seu descendente Moisés os Dez Mandamentos. Como se não fosse o suficiente, os hebreus – hoje, Judeus – criaram ainda os seus preceitos baseados nas leis dos mandamentos e nas instruções do Senhor.
Observação:
Os 613 mandamentos ou 613 mitzvot (do hebraico: תרי"ג מצוות ou Taryag mitzvot sendo TaRYaG um acrônimo do valor numérico "613") é o nome dado ao conjunto de todos os mandamentos que, de acordo com o judaísmo, constam na Torá (os cinco livros de Moisés).1 De uma forma geral, a expressão "A Lei de Moisés" (em hebraico Torat Moshé תורת משה) também é utilizada em referência ao corpo legal judaico.
Leia mais em:
Meu raciocino é: Temos os 10 mandamentos dados por Deus e estes foram resumidos a apenas dois por Cristo (amar a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo). As doutrinas religiosas, sejam elas católica, protestante tradicional, pentecostal, reformada ou neopentecostal, criaram os seus demais e próprios preceitos, tais como os supracitados 613 mandamentos seguidos pelos judeus.
O que mais vamos criar?
Este excesso de regras humanas, preceitos, doutrinas, conceitos religiosos e teologias fundamentalistas têm, na verdade, nos separado e provado que ninguém entende a mente de Deus, levando-nos a contendas e a atacarmos os companheiros do mesmo exercito.
Pense um pouco, caro leitor, e comece a refletir se estas guerras doutrinárias e teológicas valem a pena, pois durante este tempo estamos perdendo a oportunidade de servir a Deus, amar a Deus e ter comunhão uns com os outros, o que, sem duvida, é o maior plano de Deus.

3ª Parte
I. ESTAMOS SOB A LEI OU SOB A GRAÇA?
Esse questionamento reflete um entendimento confuso do ensino bíblico acerca da lei e da graça de Deus. Muitos associam a lei como um elemento pertencente exclusivamente ao período do Antigo Testamento e a graça como um elemento neotestamentário. Isso é muitas vezes o fruto do estudo apressado de textos como:
...sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado (Gálatas 2.16).
Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça (Romanos 6.14).
E, de fato, uma leitura isolada dos textos acima pode levar o leitor a entender lei e graça como um binômio de oposição. Lei e graça parecem opostas, sem reconciliação — o cristão está debaixo da graça e consequentemente não tem qualquer relação com a lei. No entanto, essa leitura é falaciosa. O entendimento isolado desses versos leva a uma antiga heresia chamada antinomismo, a negação da lei em função da graça.
 As implicações da forma como entendemos a relação entre lei e graça vão muito além do aspecto puramente intelectual. Esse entendimento vai, na verdade, determinar toda a forma como alguém enxerga a vida cristã e que tipo de ética esse cristão irá assumir em sua caminhada. John Hesselink, um estudioso sobre a relação entre lei e graça, exemplifica que, na década de 1960, os cristãos proponentes da ética situacionista se levantaram contra leis, regras e princípios gerais, propondo uma nova moralidade. Esse movimento propõe que a ética das Escrituras não é absoluta, mas depende do contexto. Nem mesmo a lei moral de Deus é absoluta; ela depende da situação. Essa proposta surgiu e se desenvolveu dentro do cristianismo tradicional, alcançando seguidores de todas as bandeiras denominacionais, praticamente sem restrições. A lei não tem mais qualquer papel determinante na ética cristã; o que determina a ética cristã é o “princípio do amor,” conclui o movimento. A consequência dessa conclusão é que a graça suplanta a lei. As decisões éticas devem ser tomadas levando em consideração o princípio do amor. Tome-se, por exemplo, a questão do aborto no caso de estupro. Aprová-lo nessas circunstâncias é um ato de amor baseado no princípio do amor à mãe que foi estuprada. Ou mesmo a questão da pena de morte. Ela não se encaixa no princípio do amor ao próximo e, portanto, não pode ser uma prática cristã. Até mesmo situações como o divórcio passam a ser aceitáveis pelo princípio do amor. O mesmo acontece com a homossexualidade, aceitá-la passa a ser um ato de amor e, portanto, essa prática não pode ser considerada como pecado, ou, se assim considerada, é um pecado aceitável.
Mas seria essa a verdadeira conclusão do cristianismo e o verdadeiro ensino das Escrituras sobre a lei? É isso que o estudo das Escrituras e o cristianismo histórico nos ensinam?
Por que usar a lei
Para entendermos bem o uso da lei precisamos entender o que são o pacto das obras e o pacto da graça. Assim, é prudente começarmos por esclarecer o que são esses pactos e qual o conceito de lei que está envolvido na questão.
De forma bem resumida, podemos dizer que o pacto das obras é o pacto operante antes da queda e do pecado. Adão e Eva viveram originalmente debaixo desse pacto e sua vida dependia da sua obediência à lei dada por Deus de forma direta em Gênesis 2.17 — não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Adão e Eva descumpriram a sua obrigação, desobedeceram a lei e incorreram na maldição do pacto das obras, a morte.
O pacto da graça é a manifestação graciosa e misericordiosa de Deus, aplicando a maldição do pacto das obras à pessoa de seu Filho, Jesus Cristo, fazendo com que parte da sua criação, primeiramente representada em Adão, e agora representada por Cristo, pudesse ser redimida. Porém, a lei antes da queda não se resume à ordem de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A lei não deve ser reduzida a um aspecto somente. Existem outras leis, implícitas e explícitas, no texto bíblico. Por exemplo, a descrição das bênçãos em Gênesis 1.28 aparece nos imperativos: sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e dominai-a. Esses imperativos foram ordens claras do Criador a Adão e sua esposa e, por conseguinte, eram leis. O relacionamento de Adão com o Criador estava vinculado à obediência, à qual ele era capaz de exercer e assim cumprir o papel para o qual fora criado. No entanto, o relacionamento de Adão com Deus não se limitava à obediência. Esse relacionamento, acompanhado de obediência, deveria expandir-se de maneira que nele o Deus criador fosse glorificado e o ser humano pudesse ter plena alegria em servi-lo. A Confissão de Fé nos fala da lei de Deus gravada no coração do homem (CFW 4.2). Essa lei gravada no coração do ser humano reflete o tipo de intimidade reservada por Deus para as suas criaturas.
Nesse contexto podemos perceber que a lei tinha um papel orientador para o ser humano. Para que o seu relacionamento com o Criador se mantivesse, o homem deveria ser obediente e assim cumprir o seu papel. A obediência estava associada à manutenção da bênção pactual. A não obediência estava associada à retirada da bênção e à aplicação da maldição. (Deuteronimo 28, 1 – 68). A lei, portanto, tinha uma função orientadora. O ser humano, desde o princípio, conheceu os propósitos de Deus através da lei. Tendo quebrado a lei, ele tornou-se réu da mesma e recebeu a clara condenação proclamada pelo Criador: a morte.
O que acontece com essa lei depois da queda e da desobediência? Ela tem o mesmo papel? Ela possui diferentes categorias? Por que Deus continuou a revelar a sua lei ao ser humano caído?

A PROPÓSITO, DE QUE LEI ESTAMOS FALANDO?

A revelação da lei de Deus, como expressão objetiva da sua vontade, encontra-se registrada nas Escrituras. Esse registro, que começou nos tempos de Moisés, fala-nos da lei que Deus deu a Adão e também aos seus descendentes. Essa lei foi revelada ao longo do tempo. Dependendo das circunstâncias e da ocasião em que foi dada, possui diferentes aspectos, qualidades ou áreas sobre as quais legisla. Assim, é importante observar o contexto em que cada lei é dada, a quem é dada e qual o seu objetivo manifesto. Só assim poderemos saber a que estamos nos referindo quando falamos de Lei.
A LEI esta sempre divida nos aspectos em lei moral, civil e cerimonial. Cada uma tem um papel e um tempo para sua aplicação:
(a) Lei Civil ou Judicial – representa a legislação dada à sociedade israelita ou à nação de Israel; por exemplo, define os crimes contra a propriedade e suas respectivas punições.
(b) Lei Religiosa ou Cerimonial – representa a legislação levítica do Velho Testamento; por exemplo, prescreve os sacrifícios e todo o simbolismo cerimonial.
(c) Lei Moral – representa a vontade de Deus para o ser humano, no que diz respeito ao seu comportamento e aos seus principais deveres.
Toda a Lei é aplicável aos nossos dias?
Quanto à aplicação da Lei, devemos exercitar a seguinte compreensão:
(a) A Lei Civil tinha a finalidade de regular a sociedade civil do estado teocrático de Israel. Como tal, não é aplicável normativamente em nossa sociedade.
(b) A Lei Religiosa tinha a finalidade de imprimir nos homens a santidade de Deus e apontar para o Messias, Cristo, fora do qual não há esperança. Como tal, foi cumprida com sua vinda.
(c) A Lei Moral tem a finalidade de deixar bem claro ao homem os seus deveres, revelando suas carências e auxiliando-o a discernir entre o bem e o mal. Como tal, é aplicável em todas as épocas e ocasiões.
CRISTO E A LEI
Precisamos entender que Cristo se satisfez e cumpriu a lei de forma plena e completa. Ele não veio revogar a lei. Façamos uma breve análise de Mateus 5.17-19:
Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus.
Alguns pontos interessantes são demonstrados por Jesus nessa passagem:
(a) Ele veio cumprir a lei e não revogá-la.
(b) Aquele que cumpre a lei será considerado grande no Reino dos Céus.
(c) Em nenhum momento Cristo se referiu à salvação quando se baseou na lei.
Como entender essas conclusões de Jesus com respeito a si mesmo e à Lei?
(a) Ele veio cumprir a lei e de fato a cumpriu em todas as suas dimensões: cerimonial, civil e moral. Não houve qualquer aspecto da lei para o qual Cristo não pudesse atentar e cumprir. Cristo cumpriu a lei de forma perfeita, sendo obediente até a própria morte. Ele tomou sobre si a maldição da lei. Ele se torna o fundamento da justificação para o eleito.
(b) Ele não só cumpriu a lei perfeitamente, mas também interpretou a lei de forma perfeita, permitindo aos que comprou na cruz, entendê-la de forma mais completa, mais abrangente.
(c) Os que nele creem agora também podem cumprir os aspectos necessários da lei para uma vida santa. No entanto, esses que por ele são salvos não são mais dependentes da lei para a sua salvação. Por isso há uma diferença clara entre os que chegam ao Reino dos Céus, alguns serão considerados maiores do que outros. Nisso consiste o galardão que o próprio Deus entregara a cada um.
I Pedro 5:b4. E quando o grande pastor aparecer, vocês receberão a coroa gloriosa, que nunca perde o brilho; I coríntios 3:7-15 Pois não há diferença entre a pessoa que planta e a pessoa que rega. Deus dará a recompensa de acordo com trabalho que cada um tiver feito. Porque nós somos companheiros de trabalho no serviço de Deus, e vocês são o terreno no qual Deus faz o seu trabalho. È importante que todos nós compareçamos perante o Tribunal de Cristo, pois neste Tribunal só entra os salvos, para que receba sua coroa de acordo com o seu merecimento. Nisto todos estarão em corpos glorificados. (II coríntios. 5.10).
(d) Cristo, ao cumprir a lei, ab-roga a maldição da lei, mas não a sua magistralidade.  A lei continua com o seu papel de ensinar ao ser humano a vontade de Deus. A ab-rogação da maldição da lei é aquilo a que Paulo se refere em textos como Rm 6.14 e Gl 2.16 — estamos debaixo da graça!
O ponto principal, claro, é que Cristo cumpriu a lei em todos os aspectos, seja no vivê-la, no submeter-se à maldição da lei para satisfazer a sua exigência de punição dos transgressores, ou restabelecendo sobre outras bases a possibilidade de cumprir aquilo que a lei requer. Cristo, em outras palavras, satisfez tudo o que a lei exigiu ou pode vir a exigir da humanidade. A justificação que estava associada à lei agora pertence completamente a Cristo.

Portanto, nossa obediência à lei não acontece e não pode acontecer sem Cristo. Tentar viver debaixo da lei, sem Cristo, é submeter-se à escravidão. Porém, obedecer à lei com Cristo é prazer e vida. Também, nesse sentido, Cristo é o fim da lei!

CONCLUSÃO
Portanto, ao relacionarmos lei e graça devemos nos lembrar dos diversos aspectos e nuanças que estão envolvidos nesses termos.
Primeiramente, encontramos tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a graça de Deus. Ele não reserva a sua graça somente para o período do Novo Testamento como muitos pensam. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento podemos ver Deus agindo graciosamente, salvando aqueles que creem na promessa do Redentor. Assim Abel, Enoque, Noé, Abraão e todos os santos do Antigo Testamento foram remidos. Nenhum deles foi salvo por obediência à Lei, ainda que o Senhor requeresse deles, assim como requer de nós, que sejamos obedientes.
Quando Paulo escreve em todo Novo testamento sobre lei e graça, ele reduz a zero os efeitos da lei concernentes à salvação, uma vez que em todo tempo o homem sempre foi salvo pela graça. Jesus veio para deixar tudo ainda mais claro, portanto, tanto debate sobre isso mostra como Oséias (lembra?) estava certo.
Em segundo lugar, a lei opera para vida ou morte no pacto das obras e somente para a morte no pacto da graça. No pacto das obras, por mérito, o homem poderia continuar vivo e merecer a “árvore da vida.” Portanto, pela obediência o homem viveria. No pacto da graça a lei opera para condenação do homem caído. Porque o homem já está condenado, ele não pode mais cumprir a lei e ela lhe serve para a morte.
Por último, a obra redentora de Cristo, que obedeceu a lei até as últimas consequências, compra-nos o benefício da salvação e a dá-nos a conhecermos a vontade de Deus pela sua lei. O único modo de o ser humano ser salvo é submeter-se totalmente àquele que, por mérito, comprou-lhe a salvação. Cristo cumpriu a lei e declarou justificados aqueles por quem ele morre. Ele cumpriu, os apóstolos cumpriram, assim como todos seus antepassados.  A lei não justifica, mas o homem que anda segundo a lei segue um caminho ético e correto diante de Deus, aproximando-se d’Ele.

Deus tenha Misericórdia de nós.

Revisado Por:
Adriano Gomes e Milene Zezzi