quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Uma igreja para quem não gosta de igreja




Já reparou que a gente costuma sentar no mesmo local todos os domingos na igreja? Sem pensar, quando entramos, já vamos direto para lá e pior, às vezes “achamos” que o lugar é nosso.
A maioria das pessoas não gosta de mudanças e é por isso que elas incomodam. Gostamos de ficar no nosso conforto, mas crescimento requer mudanças. 
Vira e mexe alguém me pergunta por que esta geração não se contenta com o que está na igreja, por que sempre estamos querendo mudar as coisas.
Não somos estátuas e nem somos feitos em séries, estamos o tempo todo em movimento, gerando novas culturas, novas necessidades e novos questionamentos.
Sinto que às vezes a igreja está dando respostas para uma pergunta que fizemos há 15 anos. O problema é que não nos lembramos mais dela porque já fizemos centenas de outras perguntas depois.
Há uns 10 anos fui em uma igreja na Califórnia que não tinha templo, eles se reuniam em escolas, já que aos domingos as escolas estão fechadas. Ao entrar, vi lá na frente uma faixa: “Uma igreja para quem não gosta de igreja”. Fiquei abismado com a proposta na hora, mas hoje eu entendo.
Fomos fazer uma série com Liturgia 2.0 (procurar em outros textos) para pessoas que não gostam de igreja, e uma das pessoas que estavam construindo essa série comigo me perguntou: “Não seria melhor a gente investir naqueles que gostam de igreja?”
Pensei: “Não é isso que fazemos todos os domingos?”.
Hoje eu sei o porquê busco mudar e continuar reformando a nossa igreja: porque eu seria um daqueles que gostaria muito de Jesus e do evangelho, mas não me adaptaria com a igreja.
Andy Stanley certa vez falou que “devemos casar com nossa missão e namorar a metodologia”.
O problema é que fazemos o contrário, casamos com a “forma”, porque não gostamos de mudanças, e acabamos enfraquecendo os nossos laços com a missão da igreja.
Eu diria que devemos casar com a missão e ficar com a forma, só usá-la e, quando ela não estiver sendo mais útil para a missão, devemos jogá-la fora.

O que não muda é a missão, é o nosso Deus. A forma tem que estar em mudança o tempo todo. Assim, as pessoas não vão recusar a essência (Deus) em detrimento da forma (liturgia).
Acho que é por isso sou um cara incomodado que as vezes incomoda, porque fico sempre pensando: “quantos Marcos Botelhos, Andrés, Ricardo estão aí fora sem ter experimentado o que é a igreja na essência, a vida no corpo de Cristo, e estão batendo cabeça sozinhos?”



segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Justificando Nossa Inutilidade


Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes for ordenado, devem dizer: “Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever” (Lucas 17.10).

A bíblia é muito claro que Deus procura servos inúteis. Você não entendeu errado. “Deus procura servos inúteis”. E o motivo é bastante simples: o servo inútil é uma raridade, é como uma espécie em extinção.

Se você está pensando que o servo inútil é um desastrado, que faz tudo errado e que não consegue cumprir à risca as ordens de seu Senhor? Se sua resposta for sim, então, sinto muito, mas você está totalmente equivocado. O servo inútil não confessa sua inutilidade, por isso é inútil. Pelo contrário, o servo inútil se diz “inútil” porque, antes de tudo, Deus ordenou que ele confesse a sua inutilidade.

Isso, porém, não quer dizer que Deus considere inútil o servo inútil. Quando Jesus diz para os discípulos confessarem a sua própria inutilidade, ele não afirma que eles são inúteis. Em nenhum momento, Jesus brada: “Discípulos, vocês são inúteis!”. Pelo contrário, o que ele diz é “confessem com sua própria boca: ‘eu sou um servo inútil’”. Portanto, não é Cristo que confessa a inutilidade do servo; é o servo que confessa sua própria inutilidade.

Porém o que confessa a sua inutilidade não a confessa a partir das suas falhas ou do desdém e indiferença com a necessidade que há no reino. A rigor, os servos que falham, ou seja, que desobedecem ao seu Senhor, não são dignos dessa confissão. Em outras palavras, a confissão da inutilidade não é um subterfúgio ou uma desculpa para o descompromisso ou para a transgressão no serviço. O servo que enfia os pés pelas mãos, que erra e não faz conforme as ordens de seu Senhor não é digno da confissão “sou um servo inútil”. Esta só é verdadeira na boca daqueles que obedecem à risca ao seu Senhor, e que portanto, podem confessar, com dignidade, “sou um servo inútil”. Jesus foi bem claro quando disse aos seus discípulos: “Quando tiverem feito tudo o que lhes foi ordenado, devem dizer: ‘Somos servos inúteis’”. É apenas depois da obediência que a inutilidade pode ser dignamente confessada. Isso é “depois”, de ter “feito”, “tudo”, (não o que eu quero e eu posso fazer), ele diz “TUDO”, o “ordenado”. Ou seja meus caros, não haverá nenhum louvor ao discípulo que mal fez a sua “obrigação”, ou o que lhe “ordenado”, portanto cabe ao discípulo apenas ser fiel em obediência. Ser obediente e fazer com precisão o que Deus lhe pede é obrigação e é preciso estar consciente de sua inutilidade.

Primeiro que está consciência é que salva o servo de fazer do serviço um palco para exibir seu ego, suas capacidades, seu brilhantismo, sua rigorosa obediência e farisaísmo religioso. A consciência da inutilidade fixa os olhos de quem é servo numa direção que não pode ser desviada nem para esquerda nem para a direita.

Segundo que esse olhar profundo sobre a nossa real condição de ser humano falidos nunca está voltado para a sua obediência ou seu serviço; seu olhar repousa em seu Senhor. Tudo o que o servo faz é para o seu Senhor e não para homens ou por necessidade pessoal. O servo é em primeiro lugar inútil para si mesmo, e é para si mesmo que o servo confessa todos os dias:

Eu sou inútil e o que faço não é para mim, mas para o senhor! Que somente ele seja louvado em tudo o que tenho feito de melhor! Não vou ceder às chantagens de minha vaidade! Não vou tentar tirar proveito do chamado do Senhor! Não usarei seu precioso nome para promover o meu nome! Não obedecerei para trocar algo como prosperar; mas antes obedecerei, porque minha alegria está apenas em cumprir o que meu Senhor quer que eu faça, seja na pobreza, seja na riqueza!

Deus procura servos assim: inúteis. A igreja carece de servos assim: inúteis. Onde eles estão? Uma dica: eles geralmente não gostam de aparece.

Conclusão:

Eles trabalham sem chamar atenção. Usam suas vidas e habilidade concedida por Deus para suprir as necessidades do reino em primeiro lugar e não de suas próprias vidas.  Fazem tudo conforme lhe foi ordenado. Agora o ponto crucial é; que Jesus disse o que disse há discípulos, ou seja, a premissa para a condição se ser tornar inútil cumprindo tudo com obediência é ser “discípulo”. Tem gente convencido da sua necessidade de Deus, mas não convertidos a estar na direção de Deus. O convertido tem grandes chances de se torna no mínimo inútil. O convencido só lhe restara; se torna baldado, frustrado, fracassado, infrutífero, inutilizado e solitário.
Deus nos ajude.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

UMA FAMÍLIA QUE ORA, É UMA FAMÍLIA QUE TRIUNFA


Propósito da Mensagem

Mostrar à igreja que um lar onde, pais, mães e filhos oram unidos, com fervor, com freqüência e com fé, a presença de Deus se manifestará poderosamente neles, para ajudar-lhes a superar com êxito as turbulências ou tempestades, que podem desviar o lar de sua rota e do destino, que é o céu.

Texto Principal

“Se você me chamar, eu responderei e lhe contarei coisas misteriosas e maravilhosas que você não conhece.” Jeremias 33:3 (Bíblia na Linguagem de Hoje)

Introdução

Em um avião, antes de decolar, os pilotos examinam o plano de voo, sabem aonde vão e recebem
Adicionar legenda
informações precisas sobre as condições climáticas da rota a seguir. Consideram:
·         Os fortes ventos, que são muito perigosos na rota;
·         As turbulências que sacudirão o avião e o desviarão da sua rota;
·         As chuvas torrenciais e as fortes descargas elétricas.
·         O intenso tráfico aéreo, e os possíveis erros humanos.

Todos estes fatores podem interferir no voo de um avião e desviá-lo de sua rota. Por isto, os pilotos, durante o voo, mantêm uma comunicação constante com a torre de controle, recebendo e dando informações através do rádio que ajudará o piloto a corrigir constantemente sua rota e chegar assim a seu destino final com segurança.
O voo de um avião, é uma metáfora ideal para explicar o que sucede na vida espiritual de uma família cristã. As turbulências da vida, podem desviá-la da sua rota e de seu destino final, que é o céu.

I. QUAL É A INTERPRETAÇÃO DESTA METÁFORA NA VIDA FAMILIAR?

A. O avião: representa o lar, a família;
B. O piloto e copiloto: representa o pai e a mãe;
C. Os passageiros: representam os filhos;
D. Os ventos, as turbulências e tempestades: representam os problemas da vida familiar, que fazem perder o rumo.
E. Chamado de emergência: “Voo fora de rota”: representa o lar que perdeu o rumo, e Deus lhe diz: “fora de rota”.
F. A Torre de Controle: é Deus, disposto a comunicar-se com a família para ajudá-la no voo para a Canaã Celestial;
G. O rádio: é a oração que nos coloca em contato com Deus.
H. O Plano de voo: são as metas espirituais a curto, médio e longo prazo.
I. A bússola: é a Palavra de Deus;
J. O destino do voo: é o céu, a vida eterna em Cristo.

II. EXISTEM FAMÍLIAS CRISTÃS, FORA DE SUA ROTA?

Sim, geralmente, entre 70% e 80% das famílias, mesmo sendo cristãs, podem ficar fora de sua rota, devido estas turbulências ou tempestades, que mencionarei a seguir:
K. A falta de comunhão diária com Deus, de toda a família.
L. A falta de metas espirituais bem definidas.
M. Os problemas mais frequentes do lar são:

1. A incompreensão, por ter crenças diferentes;
2. As brigas entre cônjuges, e entre pais e filhos;
3. A sobrecarga de responsabilidade dos pais;
4. As diferenças na maneira de educar os filhos;
5. As preocupações econômicas e falta de emprego;
6. As interferências dos parentes sobre os cônjuges.
N. As seis turbulências emocionais que os desviam de sua rota:
1. A predisposição ao enfado do casal;
2. O temor, as preocupações e a ansiedade;
3. O problema do egoísmo;
4. O problema da infidelidade;
5. O problema da auto-estima;
6. O problema da depressão.
Então, para enfrentar com êxito, todos estes problemas, o que os pais cristãos de hoje precisam fazer?

III A MAIOR NECESSIDADE DE NOSSOS LARES É ESTABELECER UMA RELIGIÃO DINÂMICA, VIVA E EFICAZ

O. A RELIGIÃO NO LAR PODE IMPEDIR OS GRAVES MALES QUE AMARGAM A VIDA CONJUGAL
“A religião é necessária no lar. Só ela pode prevenir os ofensivos erros que tantas vezes amarguram a vida conjugal. Unicamente onde Cristo reina, pode haver amor profundo, verdadeiro, altruísta. Então alma e alma se amalgamarão, e as duas vidas se fundirão em harmonia.” (O Lar Adventista, pág. 94)


P. EM QUE CONSISTE A INSTRUÇÃO RELIGIOSA NO LAR?

“Instrução religiosa significa muito mais que instrução comum. Significa que deveis ORAR COM VOSSOS FILHOS, ensinando-lhes COMO SE APROXIMAR DE JESUS e contar-Lhe as suas necessidades. Significa ainda que deveis mostrar em vossa vida que Jesus é tudo para vós, que Seu amor torna-vos paciente, bondoso, perdoador e não obstante firme em ordenar a vossos filhos depois de vós, como o fez Abraão.” (O Lar Adventista, Pág. 317)


Q. COMO A VIDA DE CRISTO PODE TER UMA

POSIÇÃO NA MINHA FAMÍLIA E UNIR-NOS?
7. A Vida de Cristo é introduzida em nossa vida através do Espírito Santo
“Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.” (I João 5:12)
“O Espírito Santo é o sopro da vida espiritual na alma. A comunicação do Espírito é a transmissão da vida de Cristo.”
(O Desejado de Todas as Nações, Pág. 805)
8. Para que o Espírito Santo more em minha família devo fazer o mesmo que fizeram os apóstolos no Pentecostes
a) Humilhar nossos corações, e confessar nossos pecados a Cristo;
b) Eliminar toda dissensão em minha família e na igreja;
c) Orar juntos com fervor, com fé e com perseverança, pedindo ao Espírito Santo que tome posse de nós. Lucas 11:13
“...dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que Lho pedirem...” (Parábolas de Jesus, Pág. 141)
9. Conselhos para o culto doméstico (Deut. 6:7)
a) “Em cada família deve haver um tempo determinado para os cultos matutino e vespertino.” (Testemunhos Seletos Vol. 3, Pág. 92)
b) “O pai e, em sua ausência, a mãe, deve dirigir o culto...” (Idem)
c) “Convém que o culto seja breve.” (Idem)
d) “Pais e mães, tornai a hora do culto intensamente interessante.” (Idem)
e) “Pode-se cantar um hino de louvor. A oração feita deve ser breve e concisa.” (Idem)
R. “SENHOR: QUERO QUE MINHA CASA SEJA UMA
CASA DE ORAÇÃO, PARA COLOCAR-ME EM SINTONIA
COM O CÉU”.

1. CONSELHOS INSPIRADOS:

a) “Levai vossos filhos em oração a Jesus.”
(O Lar Adventista, Pág. 321)
b) “Pela sincera e fervorosa oração devem os pais erigir um muro em torno dos filhos.”
c) Oração ao disciplinar aos filhos. “Ora ardentemente para que o inimigo não alcance a vitória e, ao orar, está consciente de um renovamento da vida espiritual.”
d) “Que o dia comece com oração; trabalhai como diante de Deus.”
e) “Satanás não suporta que se apele para seu poderoso rival, pois teme e treme diante de Sua força e majestade. Ao som da fervorosa oração todo exército de Satanás treme.”
f) “Muito tempo deve ser despendido em oração, para que as vestes de nosso caráter sejam lavadas e branqueadas no sangue do Cordeiro.”
g) “A oração move o braço da Onipotência.”
h) “Todo santo que se aproximar de Deus com coração verdadeiro, dirigindo-Lhe com fé suas sinceras petições, verá suas orações atendidas.

CONCLUSÃO

A. UMA FAMÍLIA QUE ORA, ESTÁ EM SINTONIA COM A TORRE DE CONTROLE CELESTIAL E NÃO PERDERÁ O RUMO

VEJAMOS ESTA ESTATÍSTICA REVELADORA

Uma pesquisa que a igreja católica dos EUA fez em vários estados, sobre a história de muitos casamentos, levou à seguinte conclusão:


1. Que aproximadamente a metade dos casamentos termina em divórcio.
2. Quando os casais frequentam regularmente a igreja, somente um em cinquenta casamentos termina em divórcio.
3. Quando os casais que frequentam a igreja e praticam uma vida ativa de oração com suas famílias, um em cada 1.105 casamentos termina em divórcio.

B. A ADORAÇÃO A DEUS EM FAMÍLIA

A adoração em família é vital para manter sua estrutura, para assegurar melhores relacionamentos entre os integrantes da mesma. Quando você protege suas relações familiares por meio da oração; não importa se se trata de filhos, pais, padrastos, irmãs ou irmãos, tios, primos, marido e esposa, haverá menos casos de lares ou de desunião nas famílias.

UMA FAMÍLIA DE ORAÇÃO NUNCA PERDERÁ SEU RUMO, CHEGARÁ A SEU DESTINO FINAL: O CÉU A VIDA ETERNA.


A DIFICULDADE DE ENCONTRAR TEMPO PARA A ORAÇÃO EM FAMÍLIA.

https://amaravilhosaesperanca.blogspot.com.br


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Um livro, uma capa e um amigo

2 Timóteo 4.9ss: 9 Procura vir ter comigo depressa. 10  Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica; Crescente foi para a Galácia, Tito, para a Dalmácia. 11 Somente Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério. 12 Quanto a Tíquico, mandei-o até Éfeso. 13 Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos. 14 Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras. 15 Tu, guarda-te também dele, porque resistiu fortemente às nossas palavras. 16 Na minha primeira defesa, ninguém foi a meu favor; antes, todos me abandonaram. Que isto não lhes seja posto em conta! 17 Mas o Senhor me assistiu e me revestiu de forças, para que, por meu intermédio, a pregação fosse plenamente cumprida, e todos os gentios a ouvissem; e fui libertado da boca do leão. 18 O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém! 19 Saúda Prisca, e Áqüila, e a casa de Onesíforo. 20  Erasto ficou em Corinto. Quanto a Trófimo, deixei-o doente em Mileto. 21 Apressa-te a vir antes do inverno. Êubulo te envia saudações; o mesmo fazem Prudente, Lino, Cláudia e os irmãos todos. 22 O Senhor seja com o teu espírito. A graça seja convosco.”

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Introdução


Chegou o fim do semestre, chegou o frio inverno. Em breve, nos dispersaremos. Alguns sentirão frio. Outros se sentirão sós. Muitos sentirão saudades. O texto que nos inspira neste dia nos fala de um sentimento parecido que, segundo uma antiga tradição, o grande apóstolo dos gentios estaria experimentando.
Segundo essa tradição, o fim da jornada do apóstolo Paulo estava chegando, juntamente com um duro inverno. “O prisioneiro sente a solidão pelo abandono ou desvio de alguns colaboradores e a hostilidade de um conhecido” (nota da Bíblia do Peregrino). “Esta página contristada e serena, quem sabe a última que o apóstolo haja ditado, lembra o tema do justo abandonado, tema este que a morte de Jesus na cruz ilustrara tão cabalmente. Mas assim como para Jesus,” também par o autor da epístola, “esta solidão está povoada pela presença de Deus” (nota da Bíblia Tradução Ecumênica), bem como pela lembrança de fatos marcantes e pela saudade de amigos especiais.
Pela trama do texto, Paulo estaria se preparando para enfrentar um rigoroso inverno: um inverno meteorológico, um inverno existencial e um inverno afetivo. Para isso, teria escrito a Timóteo, um amigo querido, pedindo que este lhe trouxesse, o mais rápido possível, o que ele precisaria para enfrentar esse temível inverno.
Uma das encomendas que Paulo teria feito foi…

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 … a capa

“Quando vieres, traze a capa
que deixei em Trôade, em casa de Carpo.” (v. 13)

Esse Paulo tinha um estilo de vida austero. Não tinha luxos, não gozava de grandes confortos, nem praticava muitas extravagâncias. Tanto é assim que ele teria deixado, ou esquecido, um dos seus parcos bens em Trôade. Ora, somente alguém desapegado dos bens materiais deixaria para trás uma capa, um paletó, um sobretudo.
Entretanto, Paulo sabia que, por mais espiritual que fosse, precisava cuidar do corpo. E, embora já em sua reta final, a missão não poderia ser interrompida prematuramente por uma pneumonia irresponsável.
Paulo precisava da sua capa, como nós precisamos do nosso agasalho. O inverno está aí, o semestre chegou ao fim, mas a missão precisa continuar. Para isso, precisamos nos manter aquecidos, saudáveis e dispostos.
Mas só a capa não bastaria para garantir o bem-estar, por isso a encomenda de Paulo inclui também…

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… os livros e os pergaminhos

“Quando vieres, traze a capa […],
bem como os livros, especialmente os pergaminhos.”  (v. 13)

Paulo foi um grande missionário porque foi um homem estudioso, culto, erudito, amigo dos livros até nos últimos momentos de sua vida. Leitor compulsivo, conhecia os clássicos gregos, tanto filósofos quanto poetas. Sabemos também que foi autor de pena generosa e abundante — o que teria sido da teologia cristã, não tivessem Paulo e seus discípulos nos deixado seu legado por escrito? —. Para enfrentar o rigoroso inverno existencial, Paulo abastece sua dispensa com livros, com palavras… não quaisquer palavras, mas palavras boas, palavras inteligentes, palavras bem-ditas.
Já que as nossas férias também se aproximam, o que levaremos na bagagem para enfrentar o nosso próprio inverno existencial? Quem dera, como Paulo, nesse tempo de reavaliações, tenhamos a chance de lermos bons livros, e nos alimentarmos fartamente das palavras sagradas que Deus e os homens, Deus e as mulheres, plantam nos livros; palavras que se oferecem a nós como pães aromáticos, saborosos e edificantes.
Mas, além da capa e dos livros, a encomenda mais importante de Paulo foi…

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… o amigo João Marcos

“Toma contigo a Marcos e traze-o,
pois me é útil para o ministério.”  (v. 11)

Paulo experimentara muitos tipos de relacionamentos:
Havia amigos que partiam traumaticmente, tais como Demas, que abandorara a fé e abraçara o mundo (v. 10).
Havia os que simplesmente se mudavam, como Crescente e Tito, que estavam morando agora em Galácia e Dalmácia, respectivamente.
Havia, ainda, os amigos que se tornaram inimigos, como Alexandre, o latoeiro (v. 14). Desses, Paulo diz que “o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras” (v. 14); e que deles devemos nos guardar (cf. v. 15).
Mas também havia aqueles como Lucas, que nunca o abandonara; amigo leal, fiel, constante, sempre presente, nas horas boas e nas horas amargas; aquele que permanecia quando todos já se tinham ido: “Somente Lucas está comigo” (v. 11).
Mas uma das amizades mais marcantes para Paulo, foi aquela com João Marcos. Ora, mas esse é o mesmo João Marcos que, quando em viagem para Antioquia da Psídia, abandonara Paulo e seus companheiros, voltando para Jerusalém (cf. At 13.13). Paulo se lembraria desse abandono, quando Barnabé quis tornar a incluir João Marcos em outra viagem missionária:
“Mas Paulo não era de opinião que se retomasse como companheiro um homem que os abandonara na Panfília e, portanto não participara do trabalho deles. Essa discordância se agravou a tal ponto que eles partiram cada qual para seu lado. Barnabé tomou consigo Marcos e embarcou para Chipre, enquanto Paulo associava Silas a si e partia…” (At 15.38-40).
O tempo se encarregaria de mostrar a Paulo que ele estava enganado. Nem sempre um colega que nos decepciona uma vez, está incapacitado para se associar a nós em outras jornadas. Barnabé que, do alto de sua experiência, podia discernir isso, possibilitou a Paulo essa importante amizade e deu-lhe o companheiro que o assistiria nas suas últimas horas.

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Peroração

Agora que o tempo de partir se aproxima e o inverno aperta, precisamos estar preparados para enfrentá-los: a partida e o inverno. E, por mais que os agasalhos e os livros nos ajudem, nada pode substituir um amigo.
Nestes tempos de formação acadêmica, devemos atentar para os cuidados do corpo e os cuidados da mente, mantendo a capa e os livros sempre à mão, mas, principalmente, não podemos esquecer dos cuidados do coração, e é para isto que servem os amigos, é para isto que servem as amigas. Como diz o sábio em seu antigo provérbio: “Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão” (Pv 17.17).
Que neste inverno não nos faltem agasalhos, nem livros e muito menos amigos e amigas.
Luiz Carlos Ramos
Publicado by  on 6, jun, 2010 
http://www.luizcarlosramos.net

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Denunciar o Erro Não é Ser Crítico e Desagregador.

"Virou mania defender todo tipo de erro com o argumento superficial do ‘Vamos parar de criticar e orar mais’, geralmente vindo de religiosos falso que nunca participam de uma reunião se quer de oração, falar não expressa o sentimento do amor. Se não, é assim também, ‘Nós não podemos julgar’, ‘Deus opera como quer, quem é você para julgar?’. Mas será que é assim que funciona?"
(Tharsis Kedsonni).

Fico triste com quem não consegue diferenciar o fazer divisão dentro da igreja com a Apologética. Eis a diferença entre o dividir e o discernir:

Fazer divisão é não ser verdadeiramente convertido e tentar derrubar o próximo pelos mais diversos motivos. É ser sempre do contra; jogar os irmãos, uns contra os outros; sabotar ou não apoiar trabalhos internos; fazer críticas destrutivas ao trabalho de quem com sinceridade e dedicação, se empenha no Reino.

A Apologética, por sua vez, apoia esse trabalho e contribui na defensiva (cf. Fp 1.16), Uns, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões; com o intuito de não permitir que o joio sufoque o trigo e danifique a seara, prejudicando assim o trabalho do Reino de Deus na terra. Lobos vestidos de ovelhas precisam ser denunciados; Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Mateus 7:15-20. Raposas e raposinhas precisam ser retiradas da vinha; Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor. (Cantares 2.15).

Este é o serviço da Apologética: combater as heresias que constantemente são formuladas dentro da igreja e alteram o Evangelho genuíno de nosso Senhor Jesus Cristo; Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Gálatas 1:8,9.

O povo de Deus deve marchar e batalhar para ganhar o mundo para Cristo, mas também deve viver vigiando (Marcos 14.38); Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca; sempre a posto na defensiva, combatendo todo o mal que quer se inserir na Igreja e usar até os escolhidos para desvirtuar a fé salvadora.

Quem faz divisão, importa-se somente consigo mesmo, (egoísta). Jamais se preocupa com os sentimentos ou mesmo a salvação do outro. Quem faz uso da Apologética para defender o Reino, importa-se com a Nobre Causa de Jesus Cristo, que envolve o mundo inteiro. Quem faz divisão pensa somente na sua própria satisfação. Quem faz uso correto da Apologética, pensa nas mesmas coisas que Cristo pensaria se estivesse aqui, em meio a todo esse desarranjo espiritual que se desencadeou em nosso tempo.
Precisamos parar de julgar pela aparência e fazermos julgamentos segundo a reta justiça de Deus (João 7.24); Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça. E a Apologética contribui para isso. Precisamos examinar todas as coisas (1 Tessalonicenses 5.21); Examinai tudo. Retende o bem. Não podemos fazer vista grossa às tantas divergências sobre a doutrina cristã em nome da unidade da Igreja.

Se fosse assim, João Batista e Jesus não deveriam exortar tão severamente os escribas e fariseus, que tanto eram dedicados à Lei do mesmo Deus que lhes enviou ao mundo para combater o pecado. O que diríamos hoje se por uma palavra dita à alguns eles caíssem mortos na igreja pela palavra do pastor pela rebeldia das pessoas como foi com o apostolo e Ananias e Zafira?

Um homem chamado Ananias, juntamente com Safira, sua mulher, também vendeu uma propriedade. Ele reteve parte do dinheiro para si, sabendo disso também sua mulher; e o restante levou e colocou aos pés dos apóstolos. Então perguntou Pedro: "Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, a ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para si uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade? Ela não lhe pertencia? E, depois de vendida, o dinheiro não estava em seu poder? O que o levou a pensar em fazer tal coisa? Você não mentiu aos homens, mas sim a Deus". Ouvindo isso, Ananias caiu e morreu. Grande temor apoderou-se de todos os que ouviram o que tinha acontecido. Então os moços vieram, envolveram seu corpo, levaram-no para fora e o sepultaram. Cerca de três horas mais tarde, entrou sua mulher, sem saber o que havia acontecido. Pedro lhe perguntou: "Diga-me, foi esse o preço que vocês conseguiram pela propriedade? " Respondeu ela: "Sim, foi esse mesmo". Pedro lhe disse: "Por que vocês entraram em acordo para tentar o Espírito do Senhor? Veja! Estão à porta os pés dos que sepultaram seu marido, e eles a levarão também". Naquele mesmo instante, ela caiu aos pés dele e morreu. Então os moços entraram e, encontrando-a morta, levaram-na e a sepultaram ao lado de seu marido. E grande temor apoderou-se de toda a igreja e de todos os que ouviram falar desses acontecimentos.
Atos 5:1-11

Precisamos pregar o Evangelho, e precisamos fazer isso da maneira correta.



Elaine Cândida

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

*John Stott / Biografia & Mensagens




Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina. (1 Timóteo 5:17)
John Stott faleceu ontem dia 27 de Julho de 2011 às 03:15, no horário de Londres, aos 90 anos, de acordo com Benjamin Homan, presidente do John Stott Ministries (fonte).
“antes que possamos começar a ver a Cruz como algo feito para nós (nos conduzindo a fé e a adoração) temos que vê-la como algo feito por nós (nos conduzindo ao arrependimento)”. – John Stott

Biografia

Considerado uma das mais expressivas vozes da Igreja Evangélica contemporânea, o inglês John Stott nasceu em 27 de abril de 1921. Foi um agnóstico até 1939, quando ouviu uma mensagem do reverendo Eric Nash e se converteu ao cristianismo evangélico.
Estudou Línguas Modernas na Faculdade Trinity, de Cambridge. Foi ordenado pela Igreja Anglicana em 1945, e iniciou suas atividades como sacerdote na Igreja All Souls, em Langham Place. Lá continuou até se tornar pastor emérito, em 1975. Foi capelão da coroa britânica de 1959 a 1991.
Stott tornou-se ainda mais conhecido depois do Congresso de Lausanne, em 1974, quando se destacou na defesa do conceito de Evangelho Integral – uma abordagem cristã mais ampla, abrangendo a promoção do Reino de Deus não apenas na dimensão espiritual, mas também na transformação da sociedade a partir da ética e dos valores cristãos.
Em 1982, fundou o London Institute for Contemporary Christianity, do qual hoje é presidente honorário. Escreveu cerca de 40 livros, entre os quais Ouça o Espírito, ouça o mundo (ABU), A cruz de Cristo (Vida) e Por que sou cristão (Ultimato).
John Stott – O Verdadeiro Significado da Cruz

Se quisermos desenvolver uma doutrina da propiciação verdadeiramente bíblica, necessitaremos distingui-la das idéias pagãs em três pontos cruciais, relacionados ao motivo da necessidade da propiciação, quem a fez e o que ela é.
Primeiro, o motivo pelo qual a propiciação é necessária é que o pecado suscita a ira de Deus. Isso não quer dizer (como temem os animistas) que ele é capaz de explodir a mais trivial provocação, muito menos que ele perde as estribeiras por nenhum motivo aparente. Pois nada há de caprichoso ou arbitrário no santo Deus. Nem jamais ele é irascível, malicioso, rancoroso ou vingativo. 
A ira dele não é misteriosa nem irracional. Jamais é imprevisível, mas sempre previsível por ser provocada pelo mal e pelo mal somente. A ira de Deus, como examinamos com mais detalhes no capítulo 4, é o seu antagonismo firme, constante, contínuo e descomprometido para com o pecado em todas as suas formas e manifestações. Em resumo, a ira de Deus está mundos à parte da nossa. O que provoca a nossa ira (a vaidade ferida) jamais provoca a dele; o que provoca a ira dele (o mal) raramente provoca a nossa.
Segundo, quem faz a propiciação? Num contexto pagão são sempre seres humanos que procuram desviar a ira divina mediante a realização meticulosa de rituais, ou através da recitação de fórmulas mágicas, ou por meio de oferecimento de sacrifícios (vegetais, animais e até mesmo humanos). Pensam que tais práticas aplaquem a divindade ofendida. Mas o evangelho começa com a afirmação ousada de que nada do que possamos fazer, dizer, oferecer ou até mesmo dar pode compensar os nossos pecados nem afastar a ira divina. Não há possibilidade alguma de bajularmos, subornarmos ou persuadirmos Deus a nos perdoar, pois nada merecemos das suas mãos a não ser o julgamento. Nem, como já vimos, tem Cristo, por meio do seu sacrifício, prevalecido sobre Deus a fim de que ele nos perdoe. Não, foi o próprio Deus que, em sua misericórdia e graça, tomou a iniciativa.
Esse fato já estava claro no Antigo Testamento, pois nele os sacrifícios eram reconhecidos não como obras humanas, mas como dádivas divinas. Eles não tornavam a Deus gracioso; eram providos por um gracioso Deus a fim de que pudesse agir graciosamente e para com o seu povo pecaminoso. “Eu vo-lo tenho dado sobre o altar”, disse Deus a respeito do sangue do sacrifício, “para fazer expiação pelas vossas almas” (Levítico 17:11). E o Novo Testamento reconhece essa verdade com mais clareza, e não menos os textos principais acerca da propiciação. O próprio Deus “apresentou” ou “propôs” a Jesus Cristo como sacrifício propiciatório (Romanos 3:25). Não é que tenhamos amado a Deus, mas que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados (1 João 4:10).
Não podemos enfatizar demais que o amor de Deus é a fonte, e não a conseqüência da expiação. Como o expressou P. T. Forsyth: “A expiação não assegurou a graça, mas fluiu dela”. Deus não nos ama porque Cristo morreu por nós; Cristo morreu por nós porque Deus nos amou. É a ira de Deus que necessitava ser propiciada, é o amor de Deus que fez a propiciação. Se pudermos dizer que a propiciação “mudou a Deus” ou que por meio dela ele mudou a si mesmo, esclareçamos que a sua mudança não foi da ira para o amor, da inimizade para a graça, visto que o seu caráter é imutável. 
O que a propiciação mudou foi os seus tratos para conosco. “A distinção que eu peço que vocês observem”, escreveu P. T. Forsyth é “entre uma mudança de sentimento e uma mudança de tratamento… o sentimento de Deus para conosco jamais necessitou mudar. Mas o tratamento de Deus com referência a nós, o relacionamento prático de Deus para conosco — esse teve de mudar”. Ele nos perdoou e nos recebeu no lar.
Terceiro, qual foi o sacrifício propiciatório? Não foi animal, vegetal nem mineral. Não foi uma coisa, mas uma pessoa. E a pessoa que Deus ofereceu não foi alguém mais, uma pessoa humana ou um anjo, nem mesmo o seu Filho considerado como alguém distinto dele ou exterior a si mesmo. Não, ele ofereceu-se a si mesmo. Ao dar o seu Filho, ele estava dando a si mesmo. Como escreveu repetidamente Karl Barth: “Foi o Filho de Deus, isto é, o próprio Deus”. Por exemplo, “o fato de que foi o Filho de Deus, de que foi o próprio Deus, quem tomou o nosso lugar no Gólgota e, através desse ato, nos libertou da ira e do juízo divino, revela primeiro a implicação total da ira de Deus e a sua justiça condenadora e punitiva”. Repetimos, “porque foi o Filho de Deus, isto é, o próprio Deus, que tomou o nosso lugar na Sexta-Feira da Paixão, para que a substituição fosse eficaz e pudesse assegurar-nos a reconciliação com o Deus justo. Somente Deus, nosso Senhor e Criador, poderia colocar-se como nossa segurança, poderia tomar o nosso lugar, poderia sofrer a morte eterna em nosso lugar como conseqüência de nossos pecados de tal modo que ela fosse finalmente sofrida e vencida.” E tudo isso, esclarece Barth, foi expressão não somente da santidade da justiça divina, mas também das “perfeições do amor divino”; deveras, do “santo amor divino”.
Portanto, o próprio Deus está no coração de nossa resposta às três perguntas acerca da propiciação divina. É o próprio Deus que, em ira santa, necessita ser propiciado, o próprio Deus que, em santo amor, resolveu fazer a propiciação, e o próprio Deus que, na pessoa do seu Filho, morreu pela propiciação dos nossos pecados. Assim, Deus tomou a sua própria iniciativa amorosa de apaziguar sua própria ira justa levando-a em seu próprio ser no seu próprio Filho ao tomar o nosso lugar e morrer por nós. Não há nenhuma grosseria aqui que evoque o nosso ridículo, apenas a profundeza do santo amor que evoca a nossa adoração.
Ao procurar, assim, defender e reinstituir a doutrina bíblica da propiciação, não temos intenção alguma de negar a doutrina bíblica da expiação. Embora devamos resistir a toda tentativa de substituir a propiciação pela expiação, damos boas-vindas a todas as tentativas que procuram vê-las unidas na salvação. Assim F. Büchsel escreveu que “hilasmos. . . é a ação na qual Deus é propiciado e o pecado expiado”.21 O Dr. David Wells elaborou sucintamente sobre essa ideia:
No pensamento paulino o homem é alienado de Deus pelo pecado e Deus é alienado do homem pela ira. É na morte substitutiva de Cristo que o pecado é vencido e a ira desviada, de modo que Deus possa olhar para o homem sem desprazer, e o homem olhar para Deus sem temor. O pecado é expiado, e Deus propiciado.

Por John Sttot
Extraído do livro: Cruz de Cristo pág: 154 – 156

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